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Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Dois episódios me fizeram desejar escrever este post: o término do livro A Cabana e o comentário de um conhecido quando contei sobre um acontecimento triste e dolorido, “mas e o seu Deus não te protegeu disso não?”.

Deus não está aqui (ou acolá) pra proteger ninguém de nada, e tampouco é conivente com os males que existem aqui nessa terra. Criados em enorme maioria debaixo do catolicismo, esse que premedita culpa e penitência, além de prescrever um Deus soberano a quem devemos subserviência e identidade em igual perfeição, seguimos a vida a classificar em polos opostos as vontades deste senhor.

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Sobre a sensação de vulnerabilidade

Sobre a sensação de vulnerabilidade

O site saiu do ar por algumas semanas e, enquanto aguardava o retorno técnico, outras esperas se fizeram necessárias na minha vida. Vou te contar algo sobre mim que muito provavelmente a princípio não combinem com o que o trabalho com ervas e florais promove, que é a cura natural, trânsito mais fluído e uma certa confiança no invisível: eu fico um tanto angustiada quando não sei o que vai acontecer.

Não ter o controle das situações me incomoda tão profundamente que eu chego a questionar todo este caminho: se eu falo pra todo mundo em alto e bom tom que a natureza é perfeita, que os acontecimentos estão aí como oportunidade de movimentação e que as sutilezas aparecem na intensidade que cada um pode lidar, mesmo que ainda não saiba, como é que o simples fato de não saber pode me deixar tão bagunçada?

Relaxo dançando, uma das meditações que mais gosto de fazer, deixando meu corpo associar o vento que me é combustível pra vida ao entorno e, então, numa risada gostosa, assimilo que este descontrole é exatamente o que eu preciso para trabalhar a ansiedade trazida pela falta do saber de tudo. Saber de tudo, que bobagem tão grande!, como é que eu quero saber de tudo quando me reconheço em constante transformação?

É claro que algum plano, algum sonho, desejos e vontades direcionam a gente pra onde a alma chama, mas querer impactar em todos os fatores desta equação seria prepotente e, de fato, retiraria matéria importante dos aprendizados desta vida. Aceito que não posso controlar o tempo e a espera, apesar de ainda curiosa, se faz mais próxima do natural, deixando a lição da responsabilidade pela escolha que, porfim, apresenta a consequência daquilo que foi plantado, como se dissesse: “é só aprender a escolher melhor e, então, as ansiedades sobre o que virá serão cada vez mais amenas”. Parece simples, mas pra quem tem 36 anos de práticas ansiolíticas, é um exercício e tanto e, em mim, particularmente, estas mudanças profundas trazem a vulnerabilidade à tona.

A vulnerabilidade da espera. Pausa.

Por muito tempo entendi que ser vulnerável é perigoso, que os ataques acontecem quando a gente não está alerta e que, eu sei, dói muito quando o medo já existe e é estimulado. Neste momento, entretanto, me encontro com a possibilidade de exercitar o que uma amiga contou sobre sermos, todos e cada um de nós, verdadeiros rádios: a música só toca quando a sintonia está afinada. A vulnerabilidade tem sido uma aliada para o treino de minhas estações e, confesso, prática que promove dores físicas inclusive. Ajustar o ponteiro, as antenas e saber que som desejo atrair se faz tão emergencial que tem atuado em quase todos os pilares da vida.

Eu, que sou movimento, me sinto presa e quero fazer, quero resolver, quero colocar em ação qualquer coisa que seja para que esta lacuna que se apresenta em forma de “eu não sei o que está acontecendo” seja preenchida. Mais dança. Pausa. Sorrio.

Estar alerta a todo e a cada momento, aguardando pelo ataque, então, acaba aproximando o ataque – ao invés de abrandar os anseios. Eureca!

É hora de aprender a aproveitar o que já está aí, seja sólido ou no ar. Mesmo que seja medo, mesmo que seja vazio, mesmo que seja um emaranhado de palavras pipocando na mente que mente, fazendo esquecer das respostas que vêm do coração antes mesmo do piscar de olhos (estas são as que realmente importam, ouvi dizer). Danço, respiro, sorrio, converso e escrevo, ferramentas que me levam de encontro com esta casa chamada confiança, e dou flores em forma de gotas aos meus medos.

Quem disse que pra viver bem a gente precisa de muito? O que é bom vive no aqui e agora, porque na verdade, é só isso que há – e não tem problema algum exercitar isso no seu tempo, no meu tempo, no ritmo que cada um tem como preferido e, se desejar, experimentar novas fórmulas e formas de se auto-amar.

Danço, respiro, sorrio. Converso, escrevo. O site voltou. Pausa. Danço, escuto, assimilo. Espero, me ocupando de aprender e não mais me pré-ocupando com o que já foi ou com o que virá.O que há de vulnerável é também espaço para a manifestação da força – e dou flores para os meus medos que, acolhidos e abraçados, viram aliados na minha magia de transformação.