Blog : transformação

Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Dois episódios me fizeram desejar escrever este post: o término do livro A Cabana e o comentário de um conhecido quando contei sobre um acontecimento triste e dolorido, “mas e o seu Deus não te protegeu disso não?”.

Deus não está aqui (ou acolá) pra proteger ninguém de nada, e tampouco é conivente com os males que existem aqui nessa terra. Criados em enorme maioria debaixo do catolicismo, esse que premedita culpa e penitência, além de prescrever um Deus soberano a quem devemos subserviência e identidade em igual perfeição, seguimos a vida a classificar em polos opostos as vontades deste senhor.

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Algo sobre transformações, perdão e deixar um foda-se pra quem não merece andar junto.

Algo sobre transformações, perdão e deixar um foda-se pra quem não merece andar junto.

Mudança física.

Adoraria que a vida fosse uma rede social onde a foto das caixas simbolizasse o “partiu, vida nova” que a falta de legenda deixa no ar. Adoraria, porque, de saída, meus olhos estariam menos inchados do chororô que se instalou nas noites por aqui. Resolvi escrever pra dizer pra mim e pra você que é normal a gente, vez ou outra, sentir que não está tudo bem – até mesmo antes de um momento pelo qual a gente esperou um tempão. Sem pessimismo, só um “a vida é assim, seguimos”. Porque enquanto a gente segue é que a vida se transforma. Ouié!

A temática de hoje veio à tona depois de uma conversa com uma amiga querida, pessoa que fez parte do meu passado e que voltou há pouco, devagarzinho, mas com um carinho e olhar amadurecido. Conversamos sobre isso e aquilo e, durante o diálogo, relembrei de algumas mancadas que cometi e outras que cometeram comigo e, então, ecoava na minha cabeça “nossa, quem sou eu pra julgar, estou sendo muito dura, porque eu mesma cometi mancadas péssimas e então, né, como eu quero ser perdoada e desejo enxergar que evoluí/amadureci se não consigo perdoar/esquecer/me libertar da mancada que tal pessoa fez comigo?”

Daí eu chorei, que é o que eu costumo fazer pra limpar meus canais doloridos e, não sei muito bem de onde, apareceu um novo letreiro por aqui. Em letras amorosas e piscando com sutil sensualidade, a mensagem tratava de um “DE FATO, VOCÊ NÃO É NINGUÉM PRA JULGAR MAS, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA, MODIFICOU SUA FORMA DE LIDAR COM DIVERSAS SITUAÇÕES E NÃO DÁ MAIS ESSAS MANCADAS, O QUE CONFIRMA UMA PRÁTICA DE TRANSFORMAÇÃO, QUIÇÁ DE MELHORA. TAL PESSOA NÃO – TAL PESSOA, ALÉM DE CONTINUAR INSISTINDO NA MANCADA DE TANTOS ANOS ATRÁS, AINDA PIOROU E CADA VEZ MAIS ABRE MÃO DE RESPONSABILIDADES IRREFUTÁVEIS”.

Quer dizer, eu fico num looping enorme de “quem sou eu pra julgar porque já dei mancada” e acabo não tendo contato 1- nem com a minha própria evolução e merecimento de novas oportunidades de relacionamento saudáveis; 2- não observo onde o que a pessoa está fazendo me machuca de fato, porque vivo a comparar a minha experiência (passada) com a experiência que estou tendo com a pessoa no presente (muito confuso, porque sequer sou aquela pessoa, parece que passo um pano pra todo mundo, menos pra mim…) e 3- cultivo uma mágoa da pessoa que não encontra saída (que não sejam as lágrimas) para abrandar-se e, após um processo de esgotamento, me libertar do peso que é carregar uma tristeza que eu não tenho como sanar (porque ela, de fato, não me pertence: mas sim a quem a imputa em mim e eu, por não saber o que fazer com ela e entrar no looping do “quem sou eu pra julgar eu já fui muito ruim” que, em algum momento deve culminar no “mereço me ferrar”, aceito e levo comigo).

Eu tenho, claro, inúmeras situações e comportamentos que precisam de aperfeiçoamento e melhorias, alguns inclusive de extinção. Mas eu mudei e, portanto, mereço que minhas relações estejam à altura do investimento de energia que coloquei pra me transformar. É que nem nas finanças: o capital não aceita desaforo. Leve essa metáfora pra vida, por favor.

Se você nunca entrou nesse circuito, excelente, parabéns e siga assim.

Este texto é pra quem, assim como eu, procura um sopro de oportunidade pra ressignificar-se e, enfim, encontrar um caminho para a liberdade do perdão sem a necessidade de que o outro se modifique (porque, olha, mesmo que você tenha teorias e práticas maravilhosas que comprovem que ser do bem faz muito bem e que poxa vida todo mundo deveria experimentar as doçuras da evolução, veja bem, só muda quem quer e ainda assim mudanças demandam uma combinação de energias quase sobrenaturais que passam por muita vontade, apoio de amor, nortes e algum nordeste, muito tempo e prática constante e disciplinada, ai, que difícil!, além de temperos e ingredientes encantados pra cada caso, olha, não é fácil apesar de ser absurdamente gratificante, vem que tem!).

O meu sopro aconteceu hoje e, espero mesmo, espero pela minha própria sanidade e alegria de alma, que eu não esqueça de assimilar esse letreiro tão profundamente que ele faça logo parte inerente e de saída das minhas sensações: eu mereço ser respeitada hoje porque eu batalhei muito pelas minhas melhoras e não tenho a menor necessidade em respeitar pessoas que não têm esse compromisso e que interferem na minha vida. Não que eu deva causar na vida dessas pessoas o mesmo que elas trazem pra mim, que é bastante incômodo, mas é que EU POSSO E DEVO MANDAR UM FODA-SE PRA ELAS SEM MEDO DE SER FELIZ, independente de quem seja. Esmiuçando que é pra digerir o tema: entender que cada um tem seu grau e compromisso evolutivo, além de livre-arbítrio e está em um ponto perfeito para si mesmo da caminhada não implica em me submeter a nada disso a partir do momento que essa pessoa não apresenta o mínimo respeito por quem eu sou hoje. Nem eu nem a pessoa precisamos nos relacionar se não estamos numa troca legal pra ninguém (ou, pior, se estamos em uma relação vampiresca, urgh!)

Tem coisa nessa mudança que não cabe em caixa alguma e que, enfim, foto nenhuma vai conseguir expor. Volto a escrever sobre mim, contrariando o pedido de um amigo que dizia pra não misturar o trabalho com minha vida pessoal. Um dia, quem sabe, eu chego lá – por enquanto, me alivia e cura o compartilhar das palavras, sensações e aprendizados.

Haja Holly, Rescue e Impatiens, os florais que me transformam num santo de casa que faz sim, milagre.

Sobre a sensação de vulnerabilidade

Sobre a sensação de vulnerabilidade

O site saiu do ar por algumas semanas e, enquanto aguardava o retorno técnico, outras esperas se fizeram necessárias na minha vida. Vou te contar algo sobre mim que muito provavelmente a princípio não combinem com o que o trabalho com ervas e florais promove, que é a cura natural, trânsito mais fluído e uma certa confiança no invisível: eu fico um tanto angustiada quando não sei o que vai acontecer.

Não ter o controle das situações me incomoda tão profundamente que eu chego a questionar todo este caminho: se eu falo pra todo mundo em alto e bom tom que a natureza é perfeita, que os acontecimentos estão aí como oportunidade de movimentação e que as sutilezas aparecem na intensidade que cada um pode lidar, mesmo que ainda não saiba, como é que o simples fato de não saber pode me deixar tão bagunçada?

Relaxo dançando, uma das meditações que mais gosto de fazer, deixando meu corpo associar o vento que me é combustível pra vida ao entorno e, então, numa risada gostosa, assimilo que este descontrole é exatamente o que eu preciso para trabalhar a ansiedade trazida pela falta do saber de tudo. Saber de tudo, que bobagem tão grande!, como é que eu quero saber de tudo quando me reconheço em constante transformação?

É claro que algum plano, algum sonho, desejos e vontades direcionam a gente pra onde a alma chama, mas querer impactar em todos os fatores desta equação seria prepotente e, de fato, retiraria matéria importante dos aprendizados desta vida. Aceito que não posso controlar o tempo e a espera, apesar de ainda curiosa, se faz mais próxima do natural, deixando a lição da responsabilidade pela escolha que, porfim, apresenta a consequência daquilo que foi plantado, como se dissesse: “é só aprender a escolher melhor e, então, as ansiedades sobre o que virá serão cada vez mais amenas”. Parece simples, mas pra quem tem 36 anos de práticas ansiolíticas, é um exercício e tanto e, em mim, particularmente, estas mudanças profundas trazem a vulnerabilidade à tona.

A vulnerabilidade da espera. Pausa.

Por muito tempo entendi que ser vulnerável é perigoso, que os ataques acontecem quando a gente não está alerta e que, eu sei, dói muito quando o medo já existe e é estimulado. Neste momento, entretanto, me encontro com a possibilidade de exercitar o que uma amiga contou sobre sermos, todos e cada um de nós, verdadeiros rádios: a música só toca quando a sintonia está afinada. A vulnerabilidade tem sido uma aliada para o treino de minhas estações e, confesso, prática que promove dores físicas inclusive. Ajustar o ponteiro, as antenas e saber que som desejo atrair se faz tão emergencial que tem atuado em quase todos os pilares da vida.

Eu, que sou movimento, me sinto presa e quero fazer, quero resolver, quero colocar em ação qualquer coisa que seja para que esta lacuna que se apresenta em forma de “eu não sei o que está acontecendo” seja preenchida. Mais dança. Pausa. Sorrio.

Estar alerta a todo e a cada momento, aguardando pelo ataque, então, acaba aproximando o ataque – ao invés de abrandar os anseios. Eureca!

É hora de aprender a aproveitar o que já está aí, seja sólido ou no ar. Mesmo que seja medo, mesmo que seja vazio, mesmo que seja um emaranhado de palavras pipocando na mente que mente, fazendo esquecer das respostas que vêm do coração antes mesmo do piscar de olhos (estas são as que realmente importam, ouvi dizer). Danço, respiro, sorrio, converso e escrevo, ferramentas que me levam de encontro com esta casa chamada confiança, e dou flores em forma de gotas aos meus medos.

Quem disse que pra viver bem a gente precisa de muito? O que é bom vive no aqui e agora, porque na verdade, é só isso que há – e não tem problema algum exercitar isso no seu tempo, no meu tempo, no ritmo que cada um tem como preferido e, se desejar, experimentar novas fórmulas e formas de se auto-amar.

Danço, respiro, sorrio. Converso, escrevo. O site voltou. Pausa. Danço, escuto, assimilo. Espero, me ocupando de aprender e não mais me pré-ocupando com o que já foi ou com o que virá.O que há de vulnerável é também espaço para a manifestação da força – e dou flores para os meus medos que, acolhidos e abraçados, viram aliados na minha magia de transformação.