Sobre viver sozinho e a arte da troca com quem sabe mais.

Sobre viver sozinho e a arte da troca com quem sabe mais.

Sobre viver sozinho e a arte da troca com quem sabe mais.

Muita gente cresce com a crença de que a gente tem que aprender a se virar sozinho. De fato, a auto-suficiência é dos maiores presentes e conquistas de um indivíduo, não discordo nem um pouco da afirmação.

Acontece que muita gente foca somente no final da frase, “se virar sozinho”, deixando de lado a parte fundamental que diz que “temos que aprender”. E aprender, por definição, só acontece quando passamos a ter conhecimento sobre e, ainda, uma das melhores formas de obter conhecimento é a troca.

E, veja se concorda comigo, troca só acontece com mais de um elemento. Deu pra sacar onde quero chegar?

O mito do se virar sozinho se dilui em um mar de amorosidade quando a gente fica atento às trocas que a vida proporciona: hora mais doloridas, hora mais simples e fluídas. É assim mesmo, e tem jeito de melhorar.

Antes, quando eu ainda acreditava que precisava apenas me virar sozinha, a tendência era criar uma esfera de desespero que só me trazia mais dor e angústia. Quanto entendi que aquele entrave era somente uma oportunidade de aprender a lidar com a situação e que pra aprender eu poderia procurar ajuda, nossa!, a coisa toda mudou de figura. Uma dica preciosa que só dou porque vivi – e ainda vivo! – situações nas quais esta afirmação cabe é que quando me deparo com uma situação que está dolorida, penso que ainda não aprendi o suficiente pra lidar com ela.

Significa que meus problemas acabaram? Não. Significa que eu sofro muito menos com eles. Significa que transformei algumas características em mim, especialmente a que diz respeito à humildade em me assumir ainda insuficiente para lidar com determinadas coisa sozinha – e que, ao mesmo tempo, reconheço em mim características de aptidão para, espelhada em alguém que saiba conduzir aquele percurso, aprender a lidar com meus próprios passos.

Essa coisa de me assumir humilde perante meus problemas abriu um tanto de portas, mas especialmente a possibilidade de diálogo. Me lembro de algumas conversas do passado, onde eu falava sobre um problema e não aceitava de forma alguma o argumento do outro, ao contrário, tentava convencê-lo de que eu estava sofrendo sim e que tinha razão neste sofrimento, olha só, tudo o que está acontecendo comigo, quanta coisa ruim e blá-blá-blá.

Evitava a troca, percebe? Só queria estar certa, mesmo que continuasse naquele lugar chatinho onde me encontrava, até que percebi que estava rodeada de pessoas muito mais interessantes do que eu pensava, pessoas que estavam realmente disponíveis e dispostas a dialogar comigo pra apresentar alternativas que eu não enxergava e que, aquela altura, já se cansavam das minhas certezas. É claro que também caí em ciladas, convivendo com os famosos vampiros emocionais, aquelas pessoas que só querem saber de satisfazer seu próprio ego… pensando bem, de certa forma, quando não escutava as pessoas, eu também era um vampirinho desses… desculpa, pessoal 🙂

Eu tenho, hoje, menos certezas do que dúvidas – e isso me faz cada vez mais autônoma no meu caminhar. Porque quando em dúvida, me abro para as janelas do mundo, escuto e realizo trocas ricas e prósperas, me tornando uma pessoa melhor: inclusive ofereço trocas mais ricas aos que também me procuram com a intenção de obter conhecimento sobre o que eu também sou conhecedora.

Não menosprezo a dor, não pense nisso. Ainda derramo lágrimas de tristeza e perco algumas noites de sono pensando em porquês que talvez não venham a ser respondidos. Só que atualmente, aprendi, não me conformo com este status-incômodo: ou me movimento em busca de uma solução por meio da troca ou deixo o assunto no banho-maria, até que as ferramentas que me encaminhem para a solução se façam presentes.

Algumas destas ferramentas que me fazem construir uma relação mais leve com os percalços da vida são bons amigos, aqueles que me querem bem faça chuva ou faça sol, esteja eu chata ou legal; meu processo terapêutico individual, sem o qual não aprenderia tanto sobre mim mesma; minha religiosidade, que é o contato com o invisível exercitado rotineiramente, visto que um tanto do que sinto sobre mim estava escondido, invisível aos meus olhos, estes acostumados com o que eu achava de mim sem oportunar-me a trocar de opinião e alguns livros, como os da The School of Life e o meu guia para rever minha vida, o Não temas o mal, da Eva Pierrakos. Estas são as minhas escolas escolhidas pra aprender o que ainda não sei e, então caminhar sozinha, mas é claro que cada um pode encontrar as melhores escolas para si.

Este artigo da Ariane, uma amiga de infância da minha irmã que é hoje uma das pessoas que mais gosto de ler fala um tanto mais sobre isso, de forma esclarecedora e sensível, recomendo.

No mais, que a gente siga – vivendo e aprendendo, como bem diz outra frase, e que não esqueça de manter os ouvidos e o coração aberto, além de uma postura mais próxima do aprendiz do que do professor na grande maioria do tempo.

 

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