Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Dois episódios me fizeram desejar escrever este post: o término do livro A Cabana e o comentário de um conhecido quando contei sobre um acontecimento triste e dolorido, “mas e o seu Deus não te protegeu disso não?”.

Deus não está aqui (ou acolá) pra proteger ninguém de nada, e tampouco é conivente com os males que existem aqui nessa terra. Criados em enorme maioria debaixo do catolicismo, esse que premedita culpa e penitência, além de prescrever um Deus soberano a quem devemos subserviência e identidade em igual perfeição, seguimos a vida a classificar em polos opostos as vontades deste senhor.

Ora, então quer dizer que se eu for mal, vou pro inferno e, no caso de ser bom, pro paraíso? Sim, segundo o catolicismo e segundo o inconsciente coletivo de gente que sequer se questiona à respeito. Mas eu, pessoal, eu me questiono muito, aliás, acho até que hiper-questiono (sim, terapeuta?) e, depois de levar uma bronquinha básica “mas você é católica ou umbandista?”. Na época, umbandista. Então por que estava a me tratar debaixo dessas premissas que não são verdadeiras pra mim? Por costume e, por que não dizer?, por não ter uma outra referência de informação.

[um dos questionamentos que me faço quanto à doutrinação na umbanda é a falta de organização no que se refere ao estudo e repasse de conceitos e conhecimento: em diversos terreiros, o que prevalece é o desenvolvimento mediúnico, mas não necessariamente do médium, que, na minha opinião, pode trazer entidades maravilhosas em terra e promover mudanças preciosíssimas, mas não consegue argumentar com conhecimento de causa quando não incorporado. I’ve been there, portanto, me sinto no direito de falar]

Daí que no livro A Cabana, não vou contar em que contexto senão acabo com o livro, há uma passagem que define muito bem essa visão de um Deus que é perfeitamente bom e amoroso, mas não soberano e responsável por tudo o que há nesse planeta: um Deus que está pronto para amar e acolher quem quer que tenha encontros com os males, promovendo a transformação por meio destes sentimentos puros, e não um Deus que julga e pune quem tenha praticado o mal e/ou tenha conivência e permita que o mal aconteça. Isso porque Deus, segundo uma visão não-católica, é tão somente (e enormemente, veja só a responsabilidade) uma espécie de padrinho, guardador, cuidador e provedor de energias incríveis pra essa terra e, portanto, não é o único neste papel se damos conta de que o ciclo da vida, mais profundamente falando, extrapola essa existência. Quero dizer, para o planeta terra, Deus é referência. Em outros planetas e esferas, há de existir outros avatares cumprindo papel similar e, ouso arriscar, superior (no sentido de abrangência, não de hierarquia).

E então não existe um Deus que permite que o mal aconteça: existe um Deus que viabiliza o crescimento para aqueles que desejam sair das zonas de sofrimento que os males promovem. Estamos numa terra de ninguém? Não. Estamos numa terra de escolhas. 

Percebe que cada escolha que fazemos determina um roteiro, um caminho, que é também feito de sensações? Quer dizer, quando usamos o mental para encontrar discernimento e pratica a escolha, esta ação causa reações inúmeras e estas, porfim, determinam o que a gente chama de estado de espírito.

“Então quando acontece algo de ruim com a gente é porque a gente escolheu?” – não necessariamente, mas de fato podemos escolher como iremos enfrentar o episódio: no tal do amor desse Deus ampliado e revisto ou sob o cajado do Deus (descrito como) católico. “Descrito como” porque quero crer que o catolicismo em si pode até ter uma boa razão de ser mas que, com o passar do tempo e o poder, ah, o poder!, vem sendo distorcido para controlar e comandar pessoas – até a chegada de Francisco, o Papa, e quero ver como é que anda essa história.

Enfim, este seria um longo texto porque adoro falar/escrever sobre religiosidades e afins mas, sob o risco de ficar ainda mais confusa e cheia de interrogações sobre o tema, finalizo: quando paramos de responsabilizar Deus por tudo o que acontece e passamos a enxergar e sentir essa vibração como algo que acolhe e ama, nossas escolhas fazem de nós seres mais comprometidos e, portanto, mais engajados em evoluir constante e continuamente.

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