A intenção contida na ação

A intenção contida na ação

A intenção contida na ação

Eu sou uma pessoa absolutamente ritualística. Faço associações o tempo todo, solução para a mente pulga que me acompanha – até mesmo minhas pausas são pensadas de forma ordenada, pra não cair na vala do ócio criativo, necessário porém alta e perigosamente atraente pra quem tem preguiça.

Eu tenho preguiça, gente, verdade, uma canseira inerente que preciso observar: pode ser fruto de dedicação à transformação psico-emocional a qual venho traçando há tempos, pode vir da má administração de energia física, que nos é limitada, sabiamente, neste plano.

Daí dentro dos meus rituais existe um momento destinado à prece, à conexão com o invisível. Este momento nem sempre acontece antes de dormir, aquela reza de agradecimento e pedidos de saúde e paz de espírito: vez ou outra, antes de começar a movimentação de trabalho, por exemplo, eu sento, respiro e peço proteção e inspiração pra atender as pessoas com quem vou falar sobre os florais. Estas sutilezas me são tão intensas que viraram marca registrada e quem já conversou comigo sobre as medicações do Dr. Bach sabe que imprimo estas características no acolhimento carinhoso e natural, sempre lembrando o outro lado da necessidade de se conectar com a caminhada muito mais do que com o objetivo final. Tempo é fator contado em horas, mas de certa forma incontrolável no que diz respeito ao real acontecimento das coisas. Há de confiarmos, então, numa tal intenção.

O que me fez sentar e escrever sobre isso foi o fato curioso de que, durante uma prece pra clarear meus afazeres profissionais, me coloquei de joelhos e fechei os olhos. Senti algo triste, como se estivesse desanimada ao pedir que estas respostas e direcionamentos chegassem até mim. De repente, me veio à mente um questionamento: o que eu iria encontrar naquela vibração quase melancólica, me posicionando como se estivesse triste com meu trabalho?

Olha, eu não estou triste com o que venho fazendo, não. Muito pelo contrário: me sinto realizada quando encontro cada pessoa atrás da tela, mais satisfeita ainda com os depoimentos de suaves progressos proporcionados pelo floral e pelo acompanhamento terapêutico. Quero mais disso, cada vez mais e, mesmo com uma extensa lista de contas e compras suspensa, não me sinto efetivamente triste.

Mas estava assim, prostrada de forma encolhida, frente ao que chamo de altar.

Ora, por quê o momento da prece precisa ser carregado de culpa se o que desconheço é apenas desconhecido, e ali estou para solicitar que me clareiem a mente e o coração? Por que, afinal de contas, acabamos por estabelecer uma relação de inferioridade frente ao cosmo, ao invisível, às energias as quais solicitamos auxílio, ao invés de nos colocarmos como pares?

Entendo que sabedoria diferencia graus hierárquicos, inclusive dentro das práticas religiosas – mas por que raios nos colocamos quase sempre desanimados frente ao ato humilde de pedir ajuda? 

Mudei a estação: coloquei uma música feliz que fala sobre flores e águas, dancei suavemente com meu corpo alegre e sorri, pedindo clareza e transformação nas minhas ações dali pra frente, de forma a movimentar meus caminhos. Solicitei que me fosse ofertada a possibilidade de contaminar minhas palavras e ações com aquela intenção feliz, positiva e de expansão para que, então, meus objetivos não parecessem com meros sonhos detrás do véu de tule, e sim com belos potes de ouro os quais eu já enxergava e, apenas e simplesmente, estivesse caminhando contente em direção a.

De vez em quando a gente se pega em momentos difíceis, chatos de lidar e procura encontrar soluções no contexto. Vale caprichar na intenção interna antes de escolher as ferramentas apropriadas para esta busca. Então, aconteça o que acontecer, podemos garantir que a parte que nos cabe foi cumprida com compromisso e louvor, conectados com o que há de melhor, que é o reconhecimento de merecer o bom e o bem.

 

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2 Comments

  • Gabriela de Assis 11/2016 at 19:35

    Mariana! Você não deve lembrar de mim, mas te conheço de vista por termos um casal amigo e querido em comum (Marcelo e Renato)… o fato é que através da rede social deles acabei encontrando teu site e achei muito interessante! Li vários textos aqui nos intervalinhos do meu trabalho e preciso te dizer… só de ler, já traz paz! Sem saber que você fazia esse trabalho que apresenta no site, eu senti só de te ver de longe, que você é alguém “alto astral”, sempre alegre e de sorrisão no rosto, isso te faz muito bonita! Chama a atenção mesmo! Parabéns por tudo isso e parabéns pelo site! Você tem algum livro escrito? Abraço, Gabi Assis.

    • Mari Nassif Author 02/2017 at 20:44

      Óin! Que delícia de comentário, só vi agora, me desculpe <3 Muito obrigada mesmo pelas palavras, adorei e AINDA não tenho livro - projeto que vem com tudo neste 2017 me aguarde 🙂 Enquanto isso, torço pra continuar embelezando naturalmente a vida dos amigos dos meus amigos e de mais um tanto de gente que pintar por aqui e acolá! Um beijo 🙂

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